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| Imagem Reprodução/Divulgação Disney Pictures |
o terceiro filme de divertida mente deveria explorar o poder que uma crise depressiva causa no corpo humano. ou então a disney deveria criar um spin-off sobre os efeitos extremos da ansiedade, as possibilidades infinitas de uma pessoa ficar fisicamente paralisada por um turbilhão de pensamentos que invadem o meu cérebro desde que o dia sete de maio de 2024 aconteceu na minha vida.
acordo com o coração acelerado, minhas pernas tremem a ponto de parecer que vão falhar quando eu tento andar; sinto o meu peito disparar quando penso que, em algum momento, num futuro próximo, terei que voltar a procurar uma forma de ganhar dinheiro que não me mate. ou que, pelo menos, seja confortável, não me cause crises de insônia e vontade de deixar de existir.
é meio doido como o corpo humano funciona né? será que existe algum episódio de House que explique como o corpo se comporta em meio a uma crise de ansiedade? se há de haver alguma possibilidade de hackear esse sistema para não sentir tanto pânico de lugares cheios, medo de me decepcionar, receio de sair de casa, sensação intensa de morte iminente e mais. eu só queria sentir que eu sou uma pessoa normal, perdoar a minha criança anterior pelos tantos traumas que eu carrego e que precisam ficar no passado e tomar, definitivamente, as rédeas da minha vida para ser quem eu verdadeiramente nasci para ser.
é estranho demais perceber que, com 27 anos, conheço tão pouco de quem eu sou. não sei verdadeiramente quem eu sou, do que eu gosto, qual é o meu propósito no mundo, porquê shows me deixam tão emocionada, porquê lugares me fazem tão mal, porquê não consigo acolher as minhas feridas e deixá-las quietas para cicatrizar.
ó céus, será que a vida sempre vai ser assim comigo?
o choro sempre preso na garganta, as lágrimas sempre escorrendo como se alguém muito importante tivesse morrido, a falta de força para sustentar o corpo como se eu estivesse desnutrida, uma dor de cabeça que não passa nunca e uma incansável batalha para tentar viver um dia com tranquilidade.
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| Imagem Reprodução via Tumblr |
eu, que sou tão fã das palavras, que acho lindo o jeito que as letras se juntam em um texto, a forma como elas dançam e são capazes de enfeitiçar e seduzir os mais variados corações românticos, me encontro com alfabeto escasso para conseguir traduzir, e até mesmo compreender, o que meu coração me bloqueia de enxergar e aceitar sobre você.
uma vez, escrevi que não sabia colocar em palavras o que sinto pois às vezes nem eu sei o que estou sentindo. meu sistema emocional é deficiente, não tive oportunidade de desenvolver consciência sobre as coisas que guardo e carrego dentro do peito. isso é bom e ruim, pois ao mesmo tempo que me faz esquecer sobre sentimentos ruins, me faz também esquecer ou, pelo menos, não compreender com precisão, o que eu tô vivendo.
queria dizer coisas lindas e calorosas sobre o meu peito estar ardendo em chamas, com faíscas reluzentes de paixão e um sentimento absurdo de preenchimento e amor. mas a verdade é que acho que assisti comédias românticas demais e tive demonstrações de menos em vida, para conseguir me visualizar vivendo algo tão intenso e ardente assim como o romance avassalador de P.S. Eu Te Amo.
e por falar neste filme, acho que, de alguma forma, uma parte de mim, lá no fundo, debaixo das sete mil camadas que criei para me esconder e me proteger de todos os ataques que já sofri na vida, parece que estou fadada a ter o mesmo fim que a Holly: viver bons anos de um amor sincero, uma perda repentina e fazer dessa experiência e luto força motriz para seguir a minha vida levando o legado do meu grande amor pelo mundo.
pode parecer piegas ou dramalhão mexicano dizer que minha mente catastrofista imagina que eu só seria merecedora de amor se a história tivesse um fim trágico. e embora eu não queira falar em fim (tanto por não saber lidar com despedidas como por não querer que acabe), eu vim aqui para registrar algumas coisas que andam passando pela minha cabeça sobre nós dois.
estou olhando a lua crescente e notei o quão simbólica ela é. é crescente igual o sentimento que tenho nutrido por você. agora, nesse exato momento, às 23:32 de uma sexta-feira de junho, ela é a única coisa que a gente poderia estar vendo junto, mesmo estando fisicamente separado. é que agora você tá dormindo. mas uma vez, você me disse que lembra de mim quando olha pra ela. ou quando via meus stories sobre ela, enfim. hoje ela me fez lembrar de nós.
assim como ela está lá no céu todas as noites, aparecendo em algumas e se recolhendo atras das nuvens em outras, vejo a beleza que o universo tem e consigo alinhavar paralelos com nós dois. na verdade, não sei nem se isso se trata de um assunto interplanetário, acho que é mais espiritual, destino, algo certo como dois e dois são cinco, de vidas passadas e etc.
mas é que, de verdade, não sei explicar. não sei descrever o quanto sou abençoada, grata e feliz por ter a sorte de ter reencontrado você. e, que bom que foi nessa vida! por mais clichê, bobo, batido, zero romântico e cafona possa parecer, dizer que foi um reencontro de almas me parece pouco para o que a gente tem. mas essa é a definição mais próxima que eu consigo elaborar para explicar algo que ainda me é inexplicável.
a literatura me encanta e me faz refletir muito, sobre a vida, sobre as coisas... e talvez por isso eu tenha o hábito de evitar mergulhar nas páginas de um livro. por medo do que vem pela frente. mas parece que mergulhar na gente é uma coisa tão leve, simples e certa que às vezes sinto estar participando de um programa de pegadinhas.
depois de terminar o livro da Viola Davis, percebi que a gente não é nada além de tudo o que eu sempre quis ter e nunca soube manifestar. não por não saber o que eu queria, mas por não saber que seria possível. quer dizer, eu até pedia. mas em algum momento eu achei que ninguém estava me ouvindo e segui achando que todos os meus pedidos foram em vão. que nunca na vida seria possível vivenciar um romance sincero, sem joguinhos, com sentimento, com carinho e admiração mútua. mas é.
desde que você chegou, consigo ver um caminho se abrindo para eu voltar a entrar em contato comigo mesma e entender tudo o que tanto eu quero falar e não estava sabendo expressar. você chegou e trouxe uma série de novidades, renovação, companheirismo e lições que eu só poderia aprender com você. você me faz ser presente, viver o momento, esquecer que o amanhã é uma possibilidade pois o agora é mais importante do que qualquer outra coisa.
você enxerga o mundo com uma nobreza tão linda. amo o jeito que você observa tudo nos mínimos detalhes e pensa sete vezes antes de falar. amo que sua sabedoria é sempre cheia de afago, você está sempre disposto a segurar minhas mãos, me ajudar a colocar os pés no chão e voltar ao ponto inicial para começar de novo.
o seu coração é gigante! mesmo sabendo da importância da individualidade você está sempre pensando em alguém ou colocando alguma coisa acima de uma tribulação sua. o poder de abraçar o mundo com o olhar e acalmar o coração de quem quer que seja é um dom intrínseco seu. você é um ser tão precioso...
o jeito que você sorri ao acordar acaricia meu coração diariamente. a felicidade está sempre estampada no seu olhar, mesmo quando você não está em um dia bom. o esforço que você faz para ser gentil em momentos que seu coração está implorando por cinco minutos de grito em uma sala com isolamento acústico ou uma sessão naquele salão para quebrar pratos antiestresse, sabe?
é incrível o jeito sutil que você consegue me emprestar seus olhos de vez em quando para eu enxergar o mundo sob a sua ótica. e se eu acredito que existe alma gêmea, amor sincero, bem-querer e todos os sentimentos bons que me inundaram desde que eu te encontrei naquela rodoviária, é por você.
você me impulsiona a querer ser melhor, a querer ser mais, a querer me entender, entender os meus processos, de onde vem os meus traumas, como posso lidar com tudo. e se isso não é amor, eu não sei o que é. sua companhia me tornou mais leve, me fez e faz sair da zona de conforto todos os dias. me faz pensar antes de falar, não apontar os erros, me faz querer construir bases sólidas, me faz querer crescer. ficar junto. não fugir, muito pelo contrário.
eu quero acampar em uma noite de verão tendo que dormir com uma generosa camada de repelente. quero viver cena de comédia romântica adolescente dividindo algodão doce no parque de diversões. quero abrir o vidro do carro dirigindo para cantarmos alto alguma música muito legal da nossa playlist de viagens. quero escolher um sofá confortável para nos abraçar nos infinitos finais de semana que teremos aproveitando o conforto do nosso lar. quero continuar trazendo fofocas aleatórias de pessoas que nem sei quem são e você muito menos, só porque ser uma twitteira raiz cronicamente online me faz absorver assuntos supérfluos e guardá-las num baú infinito de inutilidades. quiero hablar español y salir conversando por la cuidad. quero vestir branco e preto para te acompanhar num jogo. quero ganhar no video game sempre que possível e falar o que eu estiver pensando por mais idiota ou absurdo que seja.
também quero silêncio confortável, conversas construtivas, parceria, companheirismo e honestidade, acima de tudo.
não tenho mentiras para te ver, não tem passado pra esquecer, tudo está dando certo. avisa pro senhor Armando que não precisei esperar pela Outra Vida, porquê você é nessa vida que você é a minha vida. (mas não me importaria em te encontrar na próxima e na próxima e na próxima...).
eu te amo. ad infinitum.
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| Imagem Volkan Olmez via Unsplash |
se um dia encontrarem meu corpo adormecido, saibam que eu fiz algo. há muito tempo carrego uma dor muito grande no peito e tem dias que a solução parece ser não fazer mais parte deste plano. mas, para ser sincera, hoje é a primeira vez que penso, de fato, em fazer algo sobre isso.
tudo tem sido muito duro. tudo me dói muito. desde que eu saí da casa dos meus pais parece que estou lutando contra mim mesma para me manter viva. nunca havia tido pensamentos que me levassem a fazer algo contra a minha vida, mas essa noite flertei com alguns. e se eu tomar todos os remédios que eu tenho? o que será que acontece? será que essa dor que eu sinto vai parar? será que eu vou poder, enfim, descansar?
tem sido torturante pensar em qualquer chance de visitar meus pais. só de pensar em colocar os pés naquela cidade novamente meu corpo já fica em curto circuito.
eu ainda carrego dores muito profundas e cicatrizes abertas de tudo o que eu sofri nesse ambiente: o bullying na escola por meu cabelo ser cacheado; a rejeição de colegas de classe por eu não ter o mesmo poder aquisitivo, portanto, não poderia frequentar o mesmos lugares que eles; os discursos conservadores do meu pai recriminando qualquer atividade de lazer que eu ousasse querer fazer.; os comentários dele de que eu estraguei a vida dele e que preferia que eu não tivesse nascido; a passividade da minha mãe em defender meu pai e afirmar que tudo o que ele diz é mentira, “foi sem pensar”, ela costumava dizer; os comentários da minha irmã de que eu seria, para sempre, uma pessoa sozinha e infeliz; e muitas outras coisas.
acho que as pessoas não tem noção do quanto as palavras machucam. preferia ter levado um tiro na perna ou uma facada na barriga a sentir essa dor profunda que se esconde entre milhares de camadas dentro do meu peito e me faz, cada dia mais, ser uma pessoa cinza e nublada.
me dói pensar que toda essa angústia, crises constantes de ansiedade em pensar em visitar meus pais só me causa mais dor. não por eles, mas pelos meus sobrinhos que não tem nada a ver com a história mas estão sendo impactados pelo meu distanciamento forçado pelos inúmeros anos de trauma que eu vivi naquela casa.
me dói saber que falar sobre isso causa preocupação pois estou tão dolorida e ferida, que não consigo entender a gravidade das coisas que estou falando.
me dói saber que, ainda que me doa, em algum momento eu vou ter que perdoar essas pessoas. só fugir do problema não vai resolver nada. assim como me entupir de tarja preta e controlados não vai fazer a dor parar e sim pode me causar algum problema mais sério. ou até mesmo consequências irreversiveis.
não sei o que fazer.
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| Imagem OlgaVilkha via Unsplash |
me sinto culpada por ter tido um passado. quase vinte e oito anos na cara e tudo o que eu consigo pensar é que, se eu não tivesse tido uma história antes de você, nada disso teria acontecido hoje. talvez eu não teria tanta consciência de mim, talvez eu me levasse mesmo pela conversa. ou, talvez, nada disso teria acontecido, afinal, quem somos nós se não uma grande costura de retalhos de pessoas que passaram em nossas vidas?
acredito que tudo tem um tempo certo pra durar e que estamos sempre aprendendo. culturas, criações, referências e inúmeros outros fatores nos tornam pessoas diferentes e únicas. isso faz com que cada um tenha um valor para alguém. pode ser que isso dure uma vida inteira como pode durar apenas alguns minutos. e ainda assim, essa troca vai deixar alguma marca. algum vestígio sempre fica para trás. e muitas das vezes não é possível controlar o momento presente.
fazem duzentos e nove dias que o meu universo estacionou na sua rua e eu não tenho pretensão de sair daqui. não tem como dizer tchau para uma coisa inexplicável e tão singular como o que a gente tem.
eu sei os seus detalhes de cor. sei que sua ansiedade te faz arrancar pedaços da boca e que também te deixa inquieto com as pernas balançando (mesmo quando você diz que é técnica para dormir); sei que às vezes a depressão é cruel e te deixa perdido no que parece ser o fundo do poço; sei que o trabalho é pesado, que interações são difíceis; e sei também que, mesmo dizendo que a minha mão está aqui, disponível, e que eu vou fazer o possível com todos os recursos que tiverem ao meu alcance para te ajudar a fazer tudo isso passar, pode ser difícil de acreditar.
eu entendo sua dor, me identifico com ela e sei que é um fator que teremos que trabalhar em conjunto. uns dias mais, outros menos. mas são cicatrizes que a gente vai carregar para sempre. fazem parte de quem somos. e um dia eu sei que elas vão parar de doer para serem apenas cicatrizes.
sei também que eu não sou perfeita. muito pelo contrário! sou cheia de manias e toques doentios. tenho hábitos e costumes que nem sempre podem fazer sentido para você, mas que são muito importantes para mim. porém, saber que mesmo com todos esses buraquinos no meu coração, no meu caráter e no combo todo, você escolheu continuar. minha única questão é se estamos na mesma página sobre ser tudo ou nada ou se, para você, o intuito é ver no que vai dar. e essa segunda opção é o que me dá medo.
não quero provocar outro desentendimento. mas é que, sinceramente, não sei se é o orgulho que te deixa assim ou se é pura insegurança por termos vivido coisas diferentes antes do dia um da nossa vida juntos. eu tive uma história que me fez ser quem eu sou hoje e me deu ferramentas e aprendizados necessários para chegar o de cheguei. e você o mesmo. tenho plena segurança e certeza da escolha que eu fiz naquele seis de outubro. não tenho dúvidas. nunca tive, para ser honesta.
só que eu também sei que equilibrar todos os pratinhos da vida é complicado. a rotina, o trabalho, o financeiro, a vida social, os momentos de descanso, lazer e tudo mais pode deixar a gente perdido. e se tem uma coisa que eu não estou com você, é perdida. você é tipo uma bússola que me ajuda a encontrar o caminho. ou algum ser com poderes mágicos de desatar nós que me ajuda a entender onde estou, quem sou e onde quero chegar. por isso eu acredito muito que o futuro é nosso. junto. como um time. uma equipe. parceria mesmo. um casal de verdade. papo de outras vidas.
mas aí lembro que errei. e errar um erro desses me deixa quebrada em mil pedacinhos. não sei o que falar, o que fazer, como provar que eu escolhi você pra minha vida e que não existe ninguém além de você. não há nada no mundo, nem do meu passado, nem do futuro, que vá fazer eu desistir do que a gente tem. acredita em mim.
acredita na verdade que meus olhos te passam. acredita nos gestos de cuidado que eu tenho com você. acredita na minha linguagem do amor de falar demais e querer atenção o tempo todo. acredita nas palavras que te escrevo e te falo. acredita no que a gente sente. a gente sabe que é raro, que não é todo mundo que tem oportunidade de viver isso. e eu quero viver o máximo de tempo que Deus me permitir ao seu lado. (e nem de longe isso é um clichê romântico para vender livro adolescente. é vida real!).
você é o único que conquistou o título de amor da minha vida. antes de você não houve ninguém ocupando o lugar de amor. pode perguntar a quem você quiser. amor é só você.
e eu quero muito da gente. eu quero a gente. eu quero muito mais de nós dois.
por fim, não sei mais o que dizer para pedir perdão, do fundo do meu coração. eu te amo e você é minha escolha diária. não esquece disso, não! lembra do que eu te falei logo que eu te vi. ali eu já sabia que seria diferente. só, por favor, não duvida quando eu digo que te amo.
atos falhos vão acontecer em outras situações. e talvez eu não saiba lidar direito com os meus próprios erros. mas acredita, por favor, que foi sem querer. e me desculpa por te chatear e deixar com pensamentos intrusivos. eu te amo, meu amor. me perdoa. perdoa essa mulher falha que fala sem pensar. perdoa que eu não sei ainda como demonstrar todo o meu amor por você.
me perdoa, meu amor. por favor!
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| Imagem by Tumblr |
me pergunto como posso estar afim de escrever sobre alguém que eu conheço por alguns pares de dias. eu sei, você vai rir na minha cara dizendo que a gente pode trapacear falando que nos conhecemos antes. que podemos fantasiar com aquela história clássica de que trabalhávamos perto e nos esbarramos entre um prédio e outro e nossas mãos se tocaram na hora de recolher os pertences que deixamos cair no chão. mas, sinceramente, não acho que nenhuma narrativa se compare ao evento cósmico que foi te abraçar pela primeira vez naquela rodoviária cheia de gente.
sonhei com alguém assim acho que a minha vida inteira. seu abraço tem gosto de paz e você me passa uma sensação de segurança e a certeza que acho que eu nunca experimentei antes. é como todos os clichês das comédias românticas que eu tanto assisto. é como se tudo fizesse sentido agora. tudo o que aconteceu comigo antes foi necessário para que no dia de hoje eu pudesse estar aqui, deitada na minha cama, ouvindo o melô dos apaixonados da época do tumblr hey there delilah e juntando as letrinhas do teclado do meu notebook na tentativa de transcrever o que tem sido ver gotículas de glitter brilhando pelos meus dias a cada áudio ou mensagem de texto sua que recebo.
como é possível ter a sensação de casa em alguém que eu mal conheço?
nosso encontro parece ter sido arquitetado pelos astros. por Deus, por Oxalá e por todas as forças maiores que a gente acredita. pelo destino ou simplesmente porque a gente deveria se encontrar nessa vida. a gente suspeita que nossa conexão é de outras vidas e, sinceramente, eu não duvido. você me traz calmaria. você é tranquilidade. seu sorriso largo com olhinhos fechados me abraça. sua gargalhada é sinfonia para os meus ouvidos e eu já te escutei dando risadas das minhas questões inúteis do dia a dia mesmo quando a gente não está fisicamente junto.
é como se todos os milhares de pensamentos involuntários que surgem na minha mente quando estou sozinha tivessem um botão de pausa quando você está perto de mim. e ao mesmo tempo que isso me encanta e me deixa mais presente no hoje, me dá uma pontinha de preocupação. uma parte de mim tem medo de você conhecer todas as minhas versões e desistir. medo de minha intensidade e todos os planos que fazemos juntos e que jogamos ao vento que gostaríamos de realizar te assustem ou te façam se afastar de mim.
você deu asas a minha imaginação. me fez vestir os óculos cor-de-rosa e me fez reviver sonhos que eu nem sabia que ainda existiam em mim. fez eu me sentir percebida e acolhida com um olhar castanho sincero e profundo que parece conseguir ler minha alma por inteiro.
eu quero viver tudo o que as AnaVitória cantam em explodir.
eu quero tudo o que eu puder viver, amor.
só que, ao mesmo tempo que você tem me feito voar alto, tenho medo de estar fazendo um salto solo cheio de piruetas. tenho medo de me quebrar em pedacinhos, mais uma vez. tenho medo de reproduzir erros do passado e te decepcionar. e não é nada que você tenha feito. eu carrego medos, inseguranças e crenças limitantes que vivem me assombrando dia após dia.
mesmo assim, eu escolhi viver esse romance independente de qual seja direção que esse roteiro vá tomar. mesmo com minhas falhas, minha carência excessiva, meu senso de controle e meu medo de te machucar falando mais alto que minha própria voz, eu quero viver isso. e não é que eu tenha medo de você. acho que tenho é mais medo de mim mesma. de tudo o que eu posso falar ou fazer que possa te afastar de mim.
eu sou imperfeita. meus pensamentos catastróficos me fazem ser pessimista e pensar em 387 cenários. eu penso demais nas coisas. tudo pra mim é uma tempestade em copo d'água. tudo pra mim é visto sob uma ótica de quem carrega nas mãos uma lente de aumento e faz tudo parecer maior do que é. talvez eu esteja, inclusive, fazendo isso agora com nós dois. e se for o caso, tudo bem, também. de alguma forma estou acostumada a me doar muito. a ser muito. e nem sempre eu recebo algo de volta.
só que tem uma pontinha desse fio mágico de glitter que nos liga brilhando dentro do meu coração. esse mesmo fio, me diz que, se eu não pisar na bola, essa história tem tudo para ser diferente.
vai ser diferente.
alguma coisa lá no fundo me diz que vai ser possível dançar na cozinha numa quarta-feira qualquer. que vai ter beijinho de bom dia. mensagens fofas ao longo do dia. conversas desconfortáveis porém necessárias. noites apreciando a lua. uma mão fazendo carinho na outra enquanto assistimos qualquer coisa na tv. xícaras de café enquanto nos arrumamos para o trabalho. silêncios reconfortantes. ligações só pra um ouvir a voz do outro. vão ter pés se esquentando no frio ou só pulando ondinhas porque o mar está muito gelado. dias de sol rachando na cachoeira. ressignificação das obras de arte de um museu antiquado e chato.
algo me diz que você vai me apresentar o seu mundo e que eu vou te guiar para o meu. que a gente vai encontrar nosso denominador comum e que temos muito para crescer juntos.
vai ser diferente.
na verdade, já tem sido. (e se for um sonho, por favor, não me acorde!)
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Existia um muro tão alto que pensei que jamais seria possível derrubá-lo ou escalá-lo. Me vesti com milhares de armaduras e desculpas prontas na ponta da língua para me permitir fugir de toda e qualquer situação que desse qualquer vestígio de cruzar o caminho entre o primeiro e o segundo encontro.
Foram anos me preparando para a The Great War, dizendo para mim mesma no espelho que não existe mais amor, que não existe emoção, que tudo o que eu vejo em filmes e leio em livros não passa de uma grande alucinação de roteiristas que desejam muito, com todas as forças, viver qualquer coisa que os deixe molhar os pés na beirada de uma história de amor.
Eu fugi de qualquer possibilidade que me fizesse sentir qualquer coisa ou que me permitisse criar expectativas com um possível futuro. Joguei a culpa em todos os traumas de ex’s amores, me entendi comigo mesma e aceitei que depois daquele fatídico 18 de setembro, eu viveria depositando amor em outras caixinhas. Eu viveria para trabalhar e tudo bem não sentir nada, já que esse também era um dos efeitos colaterais do tanto de tarja preta que eu tenho tomado desde 2021.
Só que a vida tem dessas né, ela adora pregar peças e deve adorar ver a gente com cara de palhaça. Despretensiosamente, muito sem querer, esbarrei em uma pessoa completamente diferente de mim nos aplicativos da vida. Uma área profissional completamente diferente e a recorrente constatação “como somos diferentes” não foi alerta suficiente para eu fincar os pés no chão.
Ele é diurno e eu noturna. Ele é de biológicas e eu totalmente de humanas. Eu de textos longos e detalhados, ele de palavras curtas e abreviadas. Mas em algum ponto nesse meio do caminho a gente se encontrava. E por mais que eu não quisesse aceitar, alguma coisa dizia que poderia dar certo. Então eu fui.
Mesmo tentando pisar em ovos, não querendo aceitar todas as possibilidades de um amor tranquilo e leve que eu nem sabia que existia, fui me desarmando e me permitindo viver momentos únicos -- e um tanto quanto irresponsáveis, sem pensar duas vezes. Fui feliz até o momento que a dura realidade bateu na minha porta e eu prontamente abri. Como quem espera uma encomenda desejada, abri a porta na expectativa de ser uma entrega dos correios. Antes fosse.
Junto com o banho de água fria e pedras de gelo, vieram as inseguranças, as incertezas, a indiferença e todas as red flags que sempre estiveram escancaradas na minha cara e eu, em total estado de negação, não quis enxergar. Achei que esse poderia ser um amor desses que acalma, tranquiliza e faz firmar bases sólidas, mas assim como um dos mais dançantes hits do molejão, eu caí numa cilada.
Processar a dor de viver um relacionamento sem rótulo é mais difícil que a dor de um término de longa data. Afinal, são inúmeras possibilidades, são muitos “e se’s” e o teor de expectativa inconsciente que um relacionamento de meses guardam são capazes de enaltecer, com tamanha rapidez, um coração endurecido feito cimento E é aí que o estrago acontece, pois quanto mais alto o vôo, maior a queda. Como bem diz João Vitor, é desesperador perceber que alguém te joga para o alto só para te ver quebrar. E não estou dizendo que foi proposital. Só aconteceu.
Só que o acumulado de decepções faz com que seja cada vez mais difícil se reerguer. Todos esses pedacinhos jogados ao chão são ainda mais difíceis de recuperar. Não tem fórmula certa. Não existe cola nem um jeito certo de arrumar de novo esse quebra-cabeças que é o coração de uma pessoa sensível. Não tem como consertar um coração em pedacinhos que já operava com falhas e mil buraquinhos.
Dói.
Ver o vento levando embora todas as expectativas e tudo o que poderia ter sido, todos os finais felizes imagináveis e todas as promessas não realizadas machuca mais do que qualquer faca afiada enfiada no peito. Ou quaisquer palavras duras vomitadas em poucos minutos.
Dói entender que ainda sou um ser humano, que ainda tenho expectativas, que ainda tenho sonhos e que ainda tenho desejo de realizar coisas no âmbito romântico. Mas é que em tempos de relacionamentos líquidos, lances casuais, cardápios de ifood e indisponibilidade emocional, é como se eu estivesse verdadeiramente buscando uma agulha num palheiro. A sensação é de que estou colocando todas as minhas forças para correr atrás uma coquinha gelada em meio ao deserto.
Só que de tudo, aprendi com meus avós que o amor não te deixa dúvidas. Ele não te dá crise de ansiedade, não te faz perder o sono, não te provoca crise de choro, não te faz andar em corda bamba nem temer a reação de alguém. O amor é calmaria, é tranquilidade, é silêncio confortável, cuidado, respeito, atenção, parceria. É mais do que esperar o bom dia que nunca chega, é mais do que querer um carinho que não é demonstrado.
A gente não deu certo pelas milhares de expectativas que eu criei. Por mais que todas as peças tenham encaixado e alguns muitos requisitos básicos da minha listinha tivessem dado check, nosso timing foi errado.
Se eu posso tirar alguma lição disso tudo, é que eu ainda sou capaz de amar. Eu ainda consigo pensar no amor romântico como um campo florido, em danças na chuva, em demonstrações cafonas de afeto em público. Por muito tempo achei que essas gavetas tinham sido destruídas. Foi legal descobrir que é só uma parte de mim que permanece escondida e trancafiada a sete chaves.
Ainda assim, obrigada por me devolver o brilho no olho, o gosto por viver coisas novas, o entusiasmo de conhecer novos universos e a beleza de entender que existe vida além do meu mundinho. Obrigada pelos frames de comédia romântica que vão ficar guardados na minha memória e por todas as palavras não ditas que eu gostaria de ter escutado, mas que talvez nem eu nem você estivéssemos prontos para falar ou ouvi-las.
Obrigada por ressignificar viagens curtas, por enaltecer o tempo de qualidade e me fazer perceber que escuta ativa é um ponto muito importante para mim. Obrigada por me fazer perceber que tem coisas sobre mim que não vão mudar nunca e que eu sempre vou ter uma parte adolescente, quer isso agrade ou perturbe alguém. Essa sou eu na minha mais pura e intensa verdade.
Obrigada por me permitir conhecer um mundo novo, por compartilhar conhecimentos aleatórios que provavelmente nunca vou ter contato de novo e por me fazer entender que relacionamentos podem e devem ser leves e divertidos. E que mesmo com essas memórias, as relações duram o tempo que elas precisam durar. Nem mais, nem menos. Apenas o tempo exato para se tornarem inesquecíveis.
Obrigada por todas as conversas e todas as trocas. Você provavelmente nunca saberia que foi importante para me ajudar a reencontrar uma Renata que eu nem sabia que ainda existia dentro de mim. Espero que seu caminho continue sendo de evolução e desenvolvimento e que os erros que cometemos se tornem aprendizados para não os repetirmos no futuro com quem quer que cruze nosso caminho. E por último, mas não menos importante:
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Tenho medo de nunca mais encontrar um amor. Eu sei que o amor existe em diversas formas e que o amor romântico não é tudo. Mas eu tenho medo de nunca mais conseguir vestir os óculos de lente cor-de-rosa que fazem a vida passar em câmera lenta e que deixam cada milésimo de segundo parecer um registro antigo de máquina analógica feito com muito entusiasmo e carinho por alguém que só queria fazer um momento da vida caber dentro de um pedacinho de vídeo.
Minha mãe disse uma vez que eu ainda não vivi o amor de verdade. Que todas as experiências que eu tive não chegaram nem perto daquilo que deixa o olho brilhando e o coração preenchido de empolgação. Ela costuma lembrar das paixões passageiras da sua vida com muito carinho mas tem uma que ela sabe que nunca poderá ser comparada com nenhuma outra. E é com essa lente que ela diz que eu "ainda não encontrei quem me tirasse do chão e me fizesse flutuar mesmo sem tirar os pés do chão".
Se essa for uma verdade de mãe, tal qual o famoso conselho para levar casaco que vai esfriar, meu coração fica contente. De todo o jeito, eu morro de medo de não conseguir perceber o amor romântico, de novo, na minha vida.
Conforme os anos vão passando, vamos vivendo experiências e aprendendo com os tropeços no meio do caminho, barreiras vão se construindo com o piscar dos olhos. Atitudes e palavras que poderiam passar despercebidas, são capazes de provocar incêndios antes mesmo da combustão se formar. E assim a gente vai evitando se relacionar e arrumando desculpas para não passar pelas portas imaginárias que podem guardar desde um mundo irreal de conto de fadas como uma parede que não dá em nada.
E não é nem o caso de eu estar esperando que vá acontecer alguma cena de filme. Não espero um romance água com açúcar com uma pitada de confusão como os de Doces Magnólias e Virgin River. Mas tem sim uma parte de mim que acredita que o amor é uma oportunidade igualzinho Lulu Santos canta e da mesma forma que é o romance de Celine e Jesse em Antes do Amanhecer. Em algum momento as peças do quebra-cabeça se encaixam e tudo fica bem (e por bem eu vou considerar apenas o romance de 24 horas desse casal, ok?).
Quero ganhar flores em datas especiais e surpresas em dias ordinários simplesmente por ter sido lembrada com carinho. Quero café da manhã juntinho e em silêncio, apreciando a melhor refeição do dia numa boa companhia. Quero esquentar meus pés nos pés de outra pessoa e dormir depois de uma sequência de beijinhos. Quero olhar para a janela e lembrar que tem alguém muito legal me esperando em casa mesmo depois de um dia estressante que eu quis puxar a toalha e desistir de tudo. Quero alguém que entenda que não estamos bem todo dia e que relacionamento é escolha, e mesmo quando eu não puder dar o meu melhor, eu receba apoio e suporte.
Quero poder preparar refeições juntinho, dançar com nossas músicas favoritas pela casa, dividir as tarefas regulares que toda casa tem. Alguém pra me ajudar a carregar as sacolas do mercado, alguém para dividir o guarda-chuva, alguém para esquentar as mãos na xícara de chocolate quente em um dia frio. Enfim...
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| Imagem by Charlie Hang on Unsplash |
Tem um tempo que venho me questionando questionado como é que a gente percebe que gosta de alguém? Como a gente descobre que está alimentando um sentimento por outro ser humano? É uma dúvida genuína mesmo.
De uma hora para outra passamos de completos desconhecidos a recém chegados e então, naturalmente, alguma mágica do pririmpimpim acontece e surgem sentimentos positivos por uma pessoa.
São os jeitos? Os gestos? Os trejeitos?
O modo de falar, o caminhar, o agir, o pensar? Sinceramente, eu não sei.
Dia desses uma pessoa por quem tenho empatia e carinho disse que estava apaixonado por mim e que a falta de correspondência da minha parte o fazia ficar melancólico. Como é que reage quando alguém diz com todas as letras estou apaixonado por você? Como identificar se eu estou dando falsas esperanças românticas a alguém? Como eu sei que alguém está me entendendo como alguém que tem sinal verde para ela desenvolver sentimentos… Para ela… Gostar?
Não busco respostas óbvias como aqueles clichês de comédia romântica. Afinal, dormir e acordar pensando na pessoa, sinceramente, parece ser uma das coisas mais irreais e inventadas que existe. Tipo aquelas conversas de mãe que na volta a gente compra ou que seres mágicos como Papai Noel existem.
Alguém realmente dorme e acorda pensando em alguém?
Será que existe ou é simplesmente alguma versão desatualizada da minha personalidade que ainda não teve esse upgrade? Ou então, vai ver, alguma peça está em débito na máquina da eu de hoje.
Particularmente, acredito que toda essa conversa de frio na barriga, ansiedade, expectativa nas alturas e tremeliques ao ver alguém não passe de um sinal de alerta do próprio corpo humano para entender que esse caminho está errado. Engraçado que a gente sempre achou isso como o sinal perfeito para entender que, hm, estou gostando de alguém.
Hoje, enquanto adulta, esses sintomas não passam de uma crise de ansiedade mal percebida. Uma descarga de adrenalina desnecessária, um mecanismo de defesa para não entrar numa furada.
Vai ver é por tudo isso que muitas das músicas que escuto falam de dores intensas e términos dolorosos. Hoje, depois de muita terapia, alguns remendos e costuras mal feitas no coração, entendo que gostar de alguém é uma questão de estar disposto a ser vulnerável a ponto de se mostrar para alguém sem nenhuma amarra. Mas quando é que a gente, de fato, entende que gosta de alguém?
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| Imagem: Reprodução/Pexels. |
Ontem eu estava triste. É o primeiro 12 de junho em dez anos que eu estou sozinha. Algo dentro de mim morreu nos últimos anos, essa é a verdade. O brilho que essa já data teve um dia foi embora pelo ralo como a espuma de shampoo que escorre pelo meu corpo durante o banho. E por alguns minutos, cheguei a acreditar que tudo o que eu sabia sobre o amor também tinha ido embora. Mas não.
De tão enjoada e despedaçada que eu estava, me afastei do instagram na expectativa de não precisar ver nenhuma demonstração de amor nas redes sociais no famigerado dia 12. Mas acontece que é inevitável não ver uma publicação que seja desta que é uma das demonstrações de carinho mais bonitas que alguém pode fazer a outra pessoa.
Mas hoje, no décimo terceiro dia de junho, eu senti uma coisa diferente quando acessei as publicações de ontem. Ao invés de repulsa, inveja e dor por ver tanta gente feliz com as respectivas pessoas que escolheram dividir a vida, eu fiquei feliz e meu coração pareceu quentinho e preenchido. E foi aí que me dei conta de que é tudo uma escolha.
Em uma tentativa, até então inútil de perceber que dentro do meu peito ainda bate um coração eu continuei buscando o amor em tudo o que eu fazia. Não à toa, continuo assistindo comédias românticas na esperança de que alguma história me faça acreditar novamente nisso que todo mundo insiste em chamar de amor. Continuo escolhendo romance entre todos os inúmeros livros que eu tenho na biblioteca do meu Kindle. Continuo achando brega as demonstrações de carinho e afeto que os apaixonados fazem todo ano no dia dos namorados.
E isso me fez acreditar que talvez seja possível que os romances inatingíveis, recheados de plot twists e camadas profundas da Colleen Hoover podem existir, afinal. Ou que tudo o que falta, na verdade, é encontrar uma pessoa do outro lado do mundo tão desiludida como eu para trocarmos de casa em uma temporada de inverno e então encontrar o meu tão-sonhado-grande-amor.
Veja bem, eu não vejo muitas demonstrações de carinho no meu dia a dia. E é muito nobre quando uma pessoa demonstra ser vulnerável o suficiente para pular de cabeça numa paixão com alguém completamente desconhecido.
Relacionamentos são difíceis. Esse é o tipo de coisa mais difícil de ter e manter na vida. E digo por experiência própria: são duas pessoas com aspirações completamente diferentes, com valores, criações e manias estranhas que decidem se escolher diariamente até não escolherem mais. São dois corpos se encontrando em um mesmo caminho e decidindo seguir lado a lado até se perceberem em um cruzamento. São duas pessoas aceitando dançar uma mesma música por tempo indeterminado até o disco acabar.
Mas isso não é uma regra. O fim.
Mesmo que tudo não conspire, elas podem se escolher. Mesmo que os caminhos faça curvas bruscas elas ainda podem seguir juntas. Mesmo que a música acabe, basta virar o vinil. A poesia nunca acaba. Basta existir força suficiente para um suportar o peso do outro. Ainda assim é possível que um escolha o outro diariamente. Uns dias mais, outros menos. Mas a conta fecha. Quando é pra ser, simplesmente é.
E foi aí que eu entendi que ler pessoas que eu gosto, admiro e tenho carinho se declarando aos seus escolhidos deixou meu coração quentinho. Encheu meus olhos d'água, para ser bem sincera.
Que lindo é ver que diferente de tudo o que eu vivi, o amor sempre é uma escolha. Que lindo é ver pessoas que sei que já se machucaram tanto em outros livros, escolhendo viver essa que é uma das sensações mais bonitas da vida. Que lindo ver tanta gente querida não medindo palavras para dizer o quanto as pessoas são importantes em suas vidas. É lindo perceber que basta mudar a perspectiva para entender que no ângulo certo, todo mundo tem uma história digna de filme.
Foi assim que eu entendi o que o Lulu Santos quis dizer. O amor é uma oportunidade. É o que está grafitado nos muros da cidade. O amor é uma escolha. Que bom que agora eu consigo enxergar dessa forma também.
Talvez eu não seja essa pedra toda que me fizeram acreditar a vida toda. Talvez esse castelo que eu construí seja de areia. Se o mar chegar mais perto numa maré forte é capaz de derrubar. Tomara.
Assim como dia 4 de outubro é lembrado por todo fã do RBD (pois é o dia que marca o lançamento da telenovela no México em 2004 e é conhecido como Dia Mundial do RBD), hoje 3 de setembro, tem tudo para se tornar uma data histórica. Finalmente após muitos pedidos, a discografia do fenômeno mexicano estará disponível nas plataformas de música onlilne. E essa é uma conquista que merece ser celebrada.
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| RBDs na apresentação d série 'La Família' no México em 2007| imagem © getty images |
Em apenas quatro anos de carreira juntos, Anahí, Poncho, Dulce María, Christian Chávez, Maitê Perroni e Christopher von Uckermann conseguiram alcançar resultados inacreditáveis, somando 180 prêmios. O RBD foi eleito a melhor banda do mundo pela Billboard em 2008 e superaram o recorde de vendas de CDs que pertencia ao The Beatles. Até hoje eles são a banda mais premiada no Guiness Book.
Depois que a banda acabou, muito se especulava sobre um possível retorno. Pedro Damián, produtor da telenovela e do grupo, é um dos entusiastas que vive nos enchendo de esperanças. Há anos no promete um documentário da última turnê, a Tour Del Adiós (2008), com imagens inéditas. Mas com toda essa confusão de direitos autorais, que envolvia várias empresas e não só os seis integrantes, Pedro nunca teve autorização de veiculação (embora seja possível que esse material já esteja pronto há uns bons anos).
Como fã, a sensação é que dormi no ápice de uma pandemia e acordei novamente em 2005, quando a minha única preocupação era não perder a hora da novela. Embora o título “Rebelde” pareça agressivo, a telenovela narrava o cotidiano de seis adolescentes que estudavam em um colégio interno, o Elite Way School. Além de muito drama e brigas comuns da idade, outros assuntos importantes eram colocados em pauta como distúrbios alimentares, alcoolismo, bullying.
O legado de Rebelde além do RBD
A fala de Maitê no DVD Live in Rio de 2006 é uma das que carrego guardadas dentro do meu coração. “Todos os sonhos podem se tornar realidade (…) Uma coisa importante que lembrar: não importa sexo, língua ou religião. Todos somos iguais! Você e eu somos um só”.
Uma geração de fãs cresceu ouvindo de seus ídolos que era possível, bastava acreditar. Nos incentivaram a ser quem éramos e a nos orgulhar disso. A respeitar os outros e amar a todos mesmo com suas diferenças. A dar valor as amizades e a viver cada momento de forma intensa pois são todos únicos.
A gente acreditou que fadas existiam e que nós somos o sétimo RBD. E por essas mensagens serem tão fortes e tão presentes no discurso da banda que hoje, dezesseis anos após a estreia da novela, onze anos depois do fim do grupo nós, RBDmaníacos, ainda estamos aqui.
Como explicar? Éramos crianças cantando a plenos pulmões trechos em espanhol como “sálvame del olvido, sálvame de la soledad” e “solo quédate en silencio cinco minutos”. Mal sabíamos que esses e outros hinos atemporais ecoariam por tanto tempo em nossas mentes e corações, nos fazendo mais fortes e nos unindo em busca do nosso sonho: a discografia completa, de forma original e legal, nos streamings da vida.
Depois da discografia do RBD, o que vem por aí?
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| RBDs na casa de Alfonso Herrera em dezembro de 2019 | Foto: Reprodução/ Instagram |
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| imagem @cristina_gottardi |
Eis que no meio desse turbilhão de coisas e acontecimentos, fiquei desempregada. Agora faço parte da estatística de mais de 12 milhões de pessoas que não possuem emprego no país. Mesmo depois de um mês, ainda é estranho lembrar disso. Parece que estou presa em loop num final de semana eterno: hoje é sábado, amanhã é domingo. Depois é sábado de novo e domingo de novo. E por aí vai.
Quando assisti Valéria, há algumas semanas atrás, e escrevi sobre os desafios de ser um jovem adulto no mundo contemporâneo, não imaginei que em pouco tempo viveria numa realidade em que minha vida profissional seria como a de Valéria, a personagem principal: desempregada, com a vida toda em desordem, bloqueio criativo constante e grande desejo de viver do seu sonho. No entanto, e sabendo da real necessidade que o dinheiro tem na vida, precisa a aceitar o emprego que estiver aparecendo para pagar as contas.
A não ser que você seja herdeiro do Tio Patinhas ou do Zuckerberg, ter uma ocupação que dê renda é algo de extrema importância. Mas como lidar com o sentimento de ‘rejeição’ provocado por um desligamento repentino?
Revisitando alguns de meus textos antigos, me surpreendi ao ler que essa dificuldade de entender e lidar com rejeições é normal ao ser humano. Lá em 2017 eu já escrevia sobre como nós não lidamos bem com partidas. A gente sabe, desde sempre que estamos sujeitos a isso a todo o tempo, e mesmo assim, nunca sabemos como lidar.
Mas porque a gente precisa o tempo todo pertencer a algum lugar?
Nesse artigo para o superela, a Maki fala sobre a rejeição. Não estamos preparados para lidar com a sensação de não fazer mais parte de um nicho e isso é um traço antigo que está em nosso código genético – desde a época Idade das Pedras, enfim. É um processo delicado porém normal da vida. Vai acontecer com todo mundo.
Assim como é difícil passar pelos primeiros dias de um término de relacionamento, os primeiros dias depois de um desligamento também são difíceis. Poxa, você dedicou seu tempo e conhecimento a uma empresa e esse relacionamento profissional acabou. É normal entrar em choque. E nesse momento de mundo, administrar o luto da perda do emprego com todas essas restrições de isolamento pode ser ainda mais intenso. Mas passa.
O caminho mais fácil para superar esse término é aceitar que você fez o que pôde e que deu o seu melhor. E que nem sempre o nosso melhor é suficiente para o outro. Ponto.
Estamos sempre buscando por segurança, por algo que nos faça sentir seguros pra fugir de frustrações. E aí num momento desses as coisas podem parecer o fim do mundo. Só que na real é como dizem em Dark: ‘o fim é o começo’. Esse fim é o começo de um novo ciclo. O que assusta é não ter controle. Mas de fato, a gente não tem controle. ♥


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