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me pergunto como posso estar afim de escrever sobre alguém que eu conheço por alguns pares de dias. eu sei, você vai rir na minha cara dizendo que a gente pode trapacear falando que nos conhecemos antes. que podemos fantasiar com aquela história clássica de que trabalhávamos perto e nos esbarramos entre um prédio e outro e nossas mãos se tocaram na hora de recolher os pertences que deixamos cair no chão. mas, sinceramente, não acho que nenhuma narrativa se compare ao evento cósmico que foi te abraçar pela primeira vez naquela rodoviária cheia de gente.
sonhei com alguém assim acho que a minha vida inteira. seu abraço tem gosto de paz e você me passa uma sensação de segurança e a certeza que acho que eu nunca experimentei antes. é como todos os clichês das comédias românticas que eu tanto assisto. é como se tudo fizesse sentido agora. tudo o que aconteceu comigo antes foi necessário para que no dia de hoje eu pudesse estar aqui, deitada na minha cama, ouvindo o melô dos apaixonados da época do tumblr hey there delilah e juntando as letrinhas do teclado do meu notebook na tentativa de transcrever o que tem sido ver gotículas de glitter brilhando pelos meus dias a cada áudio ou mensagem de texto sua que recebo.
como é possível ter a sensação de casa em alguém que eu mal conheço?
nosso encontro parece ter sido arquitetado pelos astros. por Deus, por Oxalá e por todas as forças maiores que a gente acredita. pelo destino ou simplesmente porque a gente deveria se encontrar nessa vida. a gente suspeita que nossa conexão é de outras vidas e, sinceramente, eu não duvido. você me traz calmaria. você é tranquilidade. seu sorriso largo com olhinhos fechados me abraça. sua gargalhada é sinfonia para os meus ouvidos e eu já te escutei dando risadas das minhas questões inúteis do dia a dia mesmo quando a gente não está fisicamente junto.
é como se todos os milhares de pensamentos involuntários que surgem na minha mente quando estou sozinha tivessem um botão de pausa quando você está perto de mim. e ao mesmo tempo que isso me encanta e me deixa mais presente no hoje, me dá uma pontinha de preocupação. uma parte de mim tem medo de você conhecer todas as minhas versões e desistir. medo de minha intensidade e todos os planos que fazemos juntos e que jogamos ao vento que gostaríamos de realizar te assustem ou te façam se afastar de mim.
você deu asas a minha imaginação. me fez vestir os óculos cor-de-rosa e me fez reviver sonhos que eu nem sabia que ainda existiam em mim. fez eu me sentir percebida e acolhida com um olhar castanho sincero e profundo que parece conseguir ler minha alma por inteiro.
eu quero viver tudo o que as AnaVitória cantam em explodir.
eu quero tudo o que eu puder viver, amor.
só que, ao mesmo tempo que você tem me feito voar alto, tenho medo de estar fazendo um salto solo cheio de piruetas. tenho medo de me quebrar em pedacinhos, mais uma vez. tenho medo de reproduzir erros do passado e te decepcionar. e não é nada que você tenha feito. eu carrego medos, inseguranças e crenças limitantes que vivem me assombrando dia após dia.
mesmo assim, eu escolhi viver esse romance independente de qual seja direção que esse roteiro vá tomar. mesmo com minhas falhas, minha carência excessiva, meu senso de controle e meu medo de te machucar falando mais alto que minha própria voz, eu quero viver isso. e não é que eu tenha medo de você. acho que tenho é mais medo de mim mesma. de tudo o que eu posso falar ou fazer que possa te afastar de mim.
eu sou imperfeita. meus pensamentos catastróficos me fazem ser pessimista e pensar em 387 cenários. eu penso demais nas coisas. tudo pra mim é uma tempestade em copo d'água. tudo pra mim é visto sob uma ótica de quem carrega nas mãos uma lente de aumento e faz tudo parecer maior do que é. talvez eu esteja, inclusive, fazendo isso agora com nós dois. e se for o caso, tudo bem, também. de alguma forma estou acostumada a me doar muito. a ser muito. e nem sempre eu recebo algo de volta.
só que tem uma pontinha desse fio mágico de glitter que nos liga brilhando dentro do meu coração. esse mesmo fio, me diz que, se eu não pisar na bola, essa história tem tudo para ser diferente.
vai ser diferente.
alguma coisa lá no fundo me diz que vai ser possível dançar na cozinha numa quarta-feira qualquer. que vai ter beijinho de bom dia. mensagens fofas ao longo do dia. conversas desconfortáveis porém necessárias. noites apreciando a lua. uma mão fazendo carinho na outra enquanto assistimos qualquer coisa na tv. xícaras de café enquanto nos arrumamos para o trabalho. silêncios reconfortantes. ligações só pra um ouvir a voz do outro. vão ter pés se esquentando no frio ou só pulando ondinhas porque o mar está muito gelado. dias de sol rachando na cachoeira. ressignificação das obras de arte de um museu antiquado e chato.
algo me diz que você vai me apresentar o seu mundo e que eu vou te guiar para o meu. que a gente vai encontrar nosso denominador comum e que temos muito para crescer juntos.
vai ser diferente.
na verdade, já tem sido. (e se for um sonho, por favor, não me acorde!)

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