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| imagem @cristina_gottardi |
Eis que no meio desse turbilhão de coisas e acontecimentos, fiquei desempregada. Agora faço parte da estatística de mais de 12 milhões de pessoas que não possuem emprego no país. Mesmo depois de um mês, ainda é estranho lembrar disso. Parece que estou presa em loop num final de semana eterno: hoje é sábado, amanhã é domingo. Depois é sábado de novo e domingo de novo. E por aí vai.
Quando assisti Valéria, há algumas semanas atrás, e escrevi sobre os desafios de ser um jovem adulto no mundo contemporâneo, não imaginei que em pouco tempo viveria numa realidade em que minha vida profissional seria como a de Valéria, a personagem principal: desempregada, com a vida toda em desordem, bloqueio criativo constante e grande desejo de viver do seu sonho. No entanto, e sabendo da real necessidade que o dinheiro tem na vida, precisa a aceitar o emprego que estiver aparecendo para pagar as contas.
A não ser que você seja herdeiro do Tio Patinhas ou do Zuckerberg, ter uma ocupação que dê renda é algo de extrema importância. Mas como lidar com o sentimento de ‘rejeição’ provocado por um desligamento repentino?
Revisitando alguns de meus textos antigos, me surpreendi ao ler que essa dificuldade de entender e lidar com rejeições é normal ao ser humano. Lá em 2017 eu já escrevia sobre como nós não lidamos bem com partidas. A gente sabe, desde sempre que estamos sujeitos a isso a todo o tempo, e mesmo assim, nunca sabemos como lidar.
Mas porque a gente precisa o tempo todo pertencer a algum lugar?
Nesse artigo para o superela, a Maki fala sobre a rejeição. Não estamos preparados para lidar com a sensação de não fazer mais parte de um nicho e isso é um traço antigo que está em nosso código genético – desde a época Idade das Pedras, enfim. É um processo delicado porém normal da vida. Vai acontecer com todo mundo.
Assim como é difícil passar pelos primeiros dias de um término de relacionamento, os primeiros dias depois de um desligamento também são difíceis. Poxa, você dedicou seu tempo e conhecimento a uma empresa e esse relacionamento profissional acabou. É normal entrar em choque. E nesse momento de mundo, administrar o luto da perda do emprego com todas essas restrições de isolamento pode ser ainda mais intenso. Mas passa.
O caminho mais fácil para superar esse término é aceitar que você fez o que pôde e que deu o seu melhor. E que nem sempre o nosso melhor é suficiente para o outro. Ponto.
Estamos sempre buscando por segurança, por algo que nos faça sentir seguros pra fugir de frustrações. E aí num momento desses as coisas podem parecer o fim do mundo. Só que na real é como dizem em Dark: ‘o fim é o começo’. Esse fim é o começo de um novo ciclo. O que assusta é não ter controle. Mas de fato, a gente não tem controle. ♥

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