![]() |
| Imagem: Reprodução/Pexels. |
Ontem eu estava triste. É o primeiro 12 de junho em dez anos que eu estou sozinha. Algo dentro de mim morreu nos últimos anos, essa é a verdade. O brilho que essa já data teve um dia foi embora pelo ralo como a espuma de shampoo que escorre pelo meu corpo durante o banho. E por alguns minutos, cheguei a acreditar que tudo o que eu sabia sobre o amor também tinha ido embora. Mas não.
De tão enjoada e despedaçada que eu estava, me afastei do instagram na expectativa de não precisar ver nenhuma demonstração de amor nas redes sociais no famigerado dia 12. Mas acontece que é inevitável não ver uma publicação que seja desta que é uma das demonstrações de carinho mais bonitas que alguém pode fazer a outra pessoa.
Mas hoje, no décimo terceiro dia de junho, eu senti uma coisa diferente quando acessei as publicações de ontem. Ao invés de repulsa, inveja e dor por ver tanta gente feliz com as respectivas pessoas que escolheram dividir a vida, eu fiquei feliz e meu coração pareceu quentinho e preenchido. E foi aí que me dei conta de que é tudo uma escolha.
Em uma tentativa, até então inútil de perceber que dentro do meu peito ainda bate um coração eu continuei buscando o amor em tudo o que eu fazia. Não à toa, continuo assistindo comédias românticas na esperança de que alguma história me faça acreditar novamente nisso que todo mundo insiste em chamar de amor. Continuo escolhendo romance entre todos os inúmeros livros que eu tenho na biblioteca do meu Kindle. Continuo achando brega as demonstrações de carinho e afeto que os apaixonados fazem todo ano no dia dos namorados.
E isso me fez acreditar que talvez seja possível que os romances inatingíveis, recheados de plot twists e camadas profundas da Colleen Hoover podem existir, afinal. Ou que tudo o que falta, na verdade, é encontrar uma pessoa do outro lado do mundo tão desiludida como eu para trocarmos de casa em uma temporada de inverno e então encontrar o meu tão-sonhado-grande-amor.
Veja bem, eu não vejo muitas demonstrações de carinho no meu dia a dia. E é muito nobre quando uma pessoa demonstra ser vulnerável o suficiente para pular de cabeça numa paixão com alguém completamente desconhecido.
Relacionamentos são difíceis. Esse é o tipo de coisa mais difícil de ter e manter na vida. E digo por experiência própria: são duas pessoas com aspirações completamente diferentes, com valores, criações e manias estranhas que decidem se escolher diariamente até não escolherem mais. São dois corpos se encontrando em um mesmo caminho e decidindo seguir lado a lado até se perceberem em um cruzamento. São duas pessoas aceitando dançar uma mesma música por tempo indeterminado até o disco acabar.
Mas isso não é uma regra. O fim.
Mesmo que tudo não conspire, elas podem se escolher. Mesmo que os caminhos faça curvas bruscas elas ainda podem seguir juntas. Mesmo que a música acabe, basta virar o vinil. A poesia nunca acaba. Basta existir força suficiente para um suportar o peso do outro. Ainda assim é possível que um escolha o outro diariamente. Uns dias mais, outros menos. Mas a conta fecha. Quando é pra ser, simplesmente é.
E foi aí que eu entendi que ler pessoas que eu gosto, admiro e tenho carinho se declarando aos seus escolhidos deixou meu coração quentinho. Encheu meus olhos d'água, para ser bem sincera.
Que lindo é ver que diferente de tudo o que eu vivi, o amor sempre é uma escolha. Que lindo é ver pessoas que sei que já se machucaram tanto em outros livros, escolhendo viver essa que é uma das sensações mais bonitas da vida. Que lindo ver tanta gente querida não medindo palavras para dizer o quanto as pessoas são importantes em suas vidas. É lindo perceber que basta mudar a perspectiva para entender que no ângulo certo, todo mundo tem uma história digna de filme.
Foi assim que eu entendi o que o Lulu Santos quis dizer. O amor é uma oportunidade. É o que está grafitado nos muros da cidade. O amor é uma escolha. Que bom que agora eu consigo enxergar dessa forma também.
Talvez eu não seja essa pedra toda que me fizeram acreditar a vida toda. Talvez esse castelo que eu construí seja de areia. Se o mar chegar mais perto numa maré forte é capaz de derrubar. Tomara.

Um comentário
Renata
ResponderExcluirAs tuas palavras fazem eco nos meus sentimentos. O amor é uma escolha, uma oportunidade, e nós temos que fazer a escoilha.
Depois de 20 anos num casamento tudo acabou. E agora? O que vou fazer? Demorei 1 ano para perceber que sou poderosa, fantástica e que tenho muito amor para dar. Mas também para receber.
E quase com 50 anos descobri que posso quase tudo em termos de amor, de vida, da minha própria existência, O caminho que temos que percorrer é nosso e não podemos deixar que outros definam que nós somos e o que queremos para a nossa vida.
Tristeza? Faz parte da vida, mas simplesmente como uma etapa para nos redefinirmos e encontrarmos o nosso verdadeiro Eu.
A vida é um caminho sinuoso, mas com paisagens lindas
Beijo querida