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| Imagem OlgaVilkha via Unsplash |
me sinto culpada por ter tido um passado. quase vinte e oito anos na cara e tudo o que eu consigo pensar é que, se eu não tivesse tido uma história antes de você, nada disso teria acontecido hoje. talvez eu não teria tanta consciência de mim, talvez eu me levasse mesmo pela conversa. ou, talvez, nada disso teria acontecido, afinal, quem somos nós se não uma grande costura de retalhos de pessoas que passaram em nossas vidas?
acredito que tudo tem um tempo certo pra durar e que estamos sempre aprendendo. culturas, criações, referências e inúmeros outros fatores nos tornam pessoas diferentes e únicas. isso faz com que cada um tenha um valor para alguém. pode ser que isso dure uma vida inteira como pode durar apenas alguns minutos. e ainda assim, essa troca vai deixar alguma marca. algum vestígio sempre fica para trás. e muitas das vezes não é possível controlar o momento presente.
fazem duzentos e nove dias que o meu universo estacionou na sua rua e eu não tenho pretensão de sair daqui. não tem como dizer tchau para uma coisa inexplicável e tão singular como o que a gente tem.
eu sei os seus detalhes de cor. sei que sua ansiedade te faz arrancar pedaços da boca e que também te deixa inquieto com as pernas balançando (mesmo quando você diz que é técnica para dormir); sei que às vezes a depressão é cruel e te deixa perdido no que parece ser o fundo do poço; sei que o trabalho é pesado, que interações são difíceis; e sei também que, mesmo dizendo que a minha mão está aqui, disponível, e que eu vou fazer o possível com todos os recursos que tiverem ao meu alcance para te ajudar a fazer tudo isso passar, pode ser difícil de acreditar.
eu entendo sua dor, me identifico com ela e sei que é um fator que teremos que trabalhar em conjunto. uns dias mais, outros menos. mas são cicatrizes que a gente vai carregar para sempre. fazem parte de quem somos. e um dia eu sei que elas vão parar de doer para serem apenas cicatrizes.
sei também que eu não sou perfeita. muito pelo contrário! sou cheia de manias e toques doentios. tenho hábitos e costumes que nem sempre podem fazer sentido para você, mas que são muito importantes para mim. porém, saber que mesmo com todos esses buraquinos no meu coração, no meu caráter e no combo todo, você escolheu continuar. minha única questão é se estamos na mesma página sobre ser tudo ou nada ou se, para você, o intuito é ver no que vai dar. e essa segunda opção é o que me dá medo.
não quero provocar outro desentendimento. mas é que, sinceramente, não sei se é o orgulho que te deixa assim ou se é pura insegurança por termos vivido coisas diferentes antes do dia um da nossa vida juntos. eu tive uma história que me fez ser quem eu sou hoje e me deu ferramentas e aprendizados necessários para chegar o de cheguei. e você o mesmo. tenho plena segurança e certeza da escolha que eu fiz naquele seis de outubro. não tenho dúvidas. nunca tive, para ser honesta.
só que eu também sei que equilibrar todos os pratinhos da vida é complicado. a rotina, o trabalho, o financeiro, a vida social, os momentos de descanso, lazer e tudo mais pode deixar a gente perdido. e se tem uma coisa que eu não estou com você, é perdida. você é tipo uma bússola que me ajuda a encontrar o caminho. ou algum ser com poderes mágicos de desatar nós que me ajuda a entender onde estou, quem sou e onde quero chegar. por isso eu acredito muito que o futuro é nosso. junto. como um time. uma equipe. parceria mesmo. um casal de verdade. papo de outras vidas.
mas aí lembro que errei. e errar um erro desses me deixa quebrada em mil pedacinhos. não sei o que falar, o que fazer, como provar que eu escolhi você pra minha vida e que não existe ninguém além de você. não há nada no mundo, nem do meu passado, nem do futuro, que vá fazer eu desistir do que a gente tem. acredita em mim.
acredita na verdade que meus olhos te passam. acredita nos gestos de cuidado que eu tenho com você. acredita na minha linguagem do amor de falar demais e querer atenção o tempo todo. acredita nas palavras que te escrevo e te falo. acredita no que a gente sente. a gente sabe que é raro, que não é todo mundo que tem oportunidade de viver isso. e eu quero viver o máximo de tempo que Deus me permitir ao seu lado. (e nem de longe isso é um clichê romântico para vender livro adolescente. é vida real!).
você é o único que conquistou o título de amor da minha vida. antes de você não houve ninguém ocupando o lugar de amor. pode perguntar a quem você quiser. amor é só você.
e eu quero muito da gente. eu quero a gente. eu quero muito mais de nós dois.
por fim, não sei mais o que dizer para pedir perdão, do fundo do meu coração. eu te amo e você é minha escolha diária. não esquece disso, não! lembra do que eu te falei logo que eu te vi. ali eu já sabia que seria diferente. só, por favor, não duvida quando eu digo que te amo.
atos falhos vão acontecer em outras situações. e talvez eu não saiba lidar direito com os meus próprios erros. mas acredita, por favor, que foi sem querer. e me desculpa por te chatear e deixar com pensamentos intrusivos. eu te amo, meu amor. me perdoa. perdoa essa mulher falha que fala sem pensar. perdoa que eu não sei ainda como demonstrar todo o meu amor por você.
me perdoa, meu amor. por favor!
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| Imagem by Tumblr |
me pergunto como posso estar afim de escrever sobre alguém que eu conheço por alguns pares de dias. eu sei, você vai rir na minha cara dizendo que a gente pode trapacear falando que nos conhecemos antes. que podemos fantasiar com aquela história clássica de que trabalhávamos perto e nos esbarramos entre um prédio e outro e nossas mãos se tocaram na hora de recolher os pertences que deixamos cair no chão. mas, sinceramente, não acho que nenhuma narrativa se compare ao evento cósmico que foi te abraçar pela primeira vez naquela rodoviária cheia de gente.
sonhei com alguém assim acho que a minha vida inteira. seu abraço tem gosto de paz e você me passa uma sensação de segurança e a certeza que acho que eu nunca experimentei antes. é como todos os clichês das comédias românticas que eu tanto assisto. é como se tudo fizesse sentido agora. tudo o que aconteceu comigo antes foi necessário para que no dia de hoje eu pudesse estar aqui, deitada na minha cama, ouvindo o melô dos apaixonados da época do tumblr hey there delilah e juntando as letrinhas do teclado do meu notebook na tentativa de transcrever o que tem sido ver gotículas de glitter brilhando pelos meus dias a cada áudio ou mensagem de texto sua que recebo.
como é possível ter a sensação de casa em alguém que eu mal conheço?
nosso encontro parece ter sido arquitetado pelos astros. por Deus, por Oxalá e por todas as forças maiores que a gente acredita. pelo destino ou simplesmente porque a gente deveria se encontrar nessa vida. a gente suspeita que nossa conexão é de outras vidas e, sinceramente, eu não duvido. você me traz calmaria. você é tranquilidade. seu sorriso largo com olhinhos fechados me abraça. sua gargalhada é sinfonia para os meus ouvidos e eu já te escutei dando risadas das minhas questões inúteis do dia a dia mesmo quando a gente não está fisicamente junto.
é como se todos os milhares de pensamentos involuntários que surgem na minha mente quando estou sozinha tivessem um botão de pausa quando você está perto de mim. e ao mesmo tempo que isso me encanta e me deixa mais presente no hoje, me dá uma pontinha de preocupação. uma parte de mim tem medo de você conhecer todas as minhas versões e desistir. medo de minha intensidade e todos os planos que fazemos juntos e que jogamos ao vento que gostaríamos de realizar te assustem ou te façam se afastar de mim.
você deu asas a minha imaginação. me fez vestir os óculos cor-de-rosa e me fez reviver sonhos que eu nem sabia que ainda existiam em mim. fez eu me sentir percebida e acolhida com um olhar castanho sincero e profundo que parece conseguir ler minha alma por inteiro.
eu quero viver tudo o que as AnaVitória cantam em explodir.
eu quero tudo o que eu puder viver, amor.
só que, ao mesmo tempo que você tem me feito voar alto, tenho medo de estar fazendo um salto solo cheio de piruetas. tenho medo de me quebrar em pedacinhos, mais uma vez. tenho medo de reproduzir erros do passado e te decepcionar. e não é nada que você tenha feito. eu carrego medos, inseguranças e crenças limitantes que vivem me assombrando dia após dia.
mesmo assim, eu escolhi viver esse romance independente de qual seja direção que esse roteiro vá tomar. mesmo com minhas falhas, minha carência excessiva, meu senso de controle e meu medo de te machucar falando mais alto que minha própria voz, eu quero viver isso. e não é que eu tenha medo de você. acho que tenho é mais medo de mim mesma. de tudo o que eu posso falar ou fazer que possa te afastar de mim.
eu sou imperfeita. meus pensamentos catastróficos me fazem ser pessimista e pensar em 387 cenários. eu penso demais nas coisas. tudo pra mim é uma tempestade em copo d'água. tudo pra mim é visto sob uma ótica de quem carrega nas mãos uma lente de aumento e faz tudo parecer maior do que é. talvez eu esteja, inclusive, fazendo isso agora com nós dois. e se for o caso, tudo bem, também. de alguma forma estou acostumada a me doar muito. a ser muito. e nem sempre eu recebo algo de volta.
só que tem uma pontinha desse fio mágico de glitter que nos liga brilhando dentro do meu coração. esse mesmo fio, me diz que, se eu não pisar na bola, essa história tem tudo para ser diferente.
vai ser diferente.
alguma coisa lá no fundo me diz que vai ser possível dançar na cozinha numa quarta-feira qualquer. que vai ter beijinho de bom dia. mensagens fofas ao longo do dia. conversas desconfortáveis porém necessárias. noites apreciando a lua. uma mão fazendo carinho na outra enquanto assistimos qualquer coisa na tv. xícaras de café enquanto nos arrumamos para o trabalho. silêncios reconfortantes. ligações só pra um ouvir a voz do outro. vão ter pés se esquentando no frio ou só pulando ondinhas porque o mar está muito gelado. dias de sol rachando na cachoeira. ressignificação das obras de arte de um museu antiquado e chato.
algo me diz que você vai me apresentar o seu mundo e que eu vou te guiar para o meu. que a gente vai encontrar nosso denominador comum e que temos muito para crescer juntos.
vai ser diferente.
na verdade, já tem sido. (e se for um sonho, por favor, não me acorde!)
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| Imagem by Tumblr |
Existia um muro tão alto que pensei que jamais seria possível derrubá-lo ou escalá-lo. Me vesti com milhares de armaduras e desculpas prontas na ponta da língua para me permitir fugir de toda e qualquer situação que desse qualquer vestígio de cruzar o caminho entre o primeiro e o segundo encontro.
Foram anos me preparando para a The Great War, dizendo para mim mesma no espelho que não existe mais amor, que não existe emoção, que tudo o que eu vejo em filmes e leio em livros não passa de uma grande alucinação de roteiristas que desejam muito, com todas as forças, viver qualquer coisa que os deixe molhar os pés na beirada de uma história de amor.
Eu fugi de qualquer possibilidade que me fizesse sentir qualquer coisa ou que me permitisse criar expectativas com um possível futuro. Joguei a culpa em todos os traumas de ex’s amores, me entendi comigo mesma e aceitei que depois daquele fatídico 18 de setembro, eu viveria depositando amor em outras caixinhas. Eu viveria para trabalhar e tudo bem não sentir nada, já que esse também era um dos efeitos colaterais do tanto de tarja preta que eu tenho tomado desde 2021.
Só que a vida tem dessas né, ela adora pregar peças e deve adorar ver a gente com cara de palhaça. Despretensiosamente, muito sem querer, esbarrei em uma pessoa completamente diferente de mim nos aplicativos da vida. Uma área profissional completamente diferente e a recorrente constatação “como somos diferentes” não foi alerta suficiente para eu fincar os pés no chão.
Ele é diurno e eu noturna. Ele é de biológicas e eu totalmente de humanas. Eu de textos longos e detalhados, ele de palavras curtas e abreviadas. Mas em algum ponto nesse meio do caminho a gente se encontrava. E por mais que eu não quisesse aceitar, alguma coisa dizia que poderia dar certo. Então eu fui.
Mesmo tentando pisar em ovos, não querendo aceitar todas as possibilidades de um amor tranquilo e leve que eu nem sabia que existia, fui me desarmando e me permitindo viver momentos únicos -- e um tanto quanto irresponsáveis, sem pensar duas vezes. Fui feliz até o momento que a dura realidade bateu na minha porta e eu prontamente abri. Como quem espera uma encomenda desejada, abri a porta na expectativa de ser uma entrega dos correios. Antes fosse.
Junto com o banho de água fria e pedras de gelo, vieram as inseguranças, as incertezas, a indiferença e todas as red flags que sempre estiveram escancaradas na minha cara e eu, em total estado de negação, não quis enxergar. Achei que esse poderia ser um amor desses que acalma, tranquiliza e faz firmar bases sólidas, mas assim como um dos mais dançantes hits do molejão, eu caí numa cilada.
Processar a dor de viver um relacionamento sem rótulo é mais difícil que a dor de um término de longa data. Afinal, são inúmeras possibilidades, são muitos “e se’s” e o teor de expectativa inconsciente que um relacionamento de meses guardam são capazes de enaltecer, com tamanha rapidez, um coração endurecido feito cimento E é aí que o estrago acontece, pois quanto mais alto o vôo, maior a queda. Como bem diz João Vitor, é desesperador perceber que alguém te joga para o alto só para te ver quebrar. E não estou dizendo que foi proposital. Só aconteceu.
Só que o acumulado de decepções faz com que seja cada vez mais difícil se reerguer. Todos esses pedacinhos jogados ao chão são ainda mais difíceis de recuperar. Não tem fórmula certa. Não existe cola nem um jeito certo de arrumar de novo esse quebra-cabeças que é o coração de uma pessoa sensível. Não tem como consertar um coração em pedacinhos que já operava com falhas e mil buraquinhos.
Dói.
Ver o vento levando embora todas as expectativas e tudo o que poderia ter sido, todos os finais felizes imagináveis e todas as promessas não realizadas machuca mais do que qualquer faca afiada enfiada no peito. Ou quaisquer palavras duras vomitadas em poucos minutos.
Dói entender que ainda sou um ser humano, que ainda tenho expectativas, que ainda tenho sonhos e que ainda tenho desejo de realizar coisas no âmbito romântico. Mas é que em tempos de relacionamentos líquidos, lances casuais, cardápios de ifood e indisponibilidade emocional, é como se eu estivesse verdadeiramente buscando uma agulha num palheiro. A sensação é de que estou colocando todas as minhas forças para correr atrás uma coquinha gelada em meio ao deserto.
Só que de tudo, aprendi com meus avós que o amor não te deixa dúvidas. Ele não te dá crise de ansiedade, não te faz perder o sono, não te provoca crise de choro, não te faz andar em corda bamba nem temer a reação de alguém. O amor é calmaria, é tranquilidade, é silêncio confortável, cuidado, respeito, atenção, parceria. É mais do que esperar o bom dia que nunca chega, é mais do que querer um carinho que não é demonstrado.
A gente não deu certo pelas milhares de expectativas que eu criei. Por mais que todas as peças tenham encaixado e alguns muitos requisitos básicos da minha listinha tivessem dado check, nosso timing foi errado.
Se eu posso tirar alguma lição disso tudo, é que eu ainda sou capaz de amar. Eu ainda consigo pensar no amor romântico como um campo florido, em danças na chuva, em demonstrações cafonas de afeto em público. Por muito tempo achei que essas gavetas tinham sido destruídas. Foi legal descobrir que é só uma parte de mim que permanece escondida e trancafiada a sete chaves.
Ainda assim, obrigada por me devolver o brilho no olho, o gosto por viver coisas novas, o entusiasmo de conhecer novos universos e a beleza de entender que existe vida além do meu mundinho. Obrigada pelos frames de comédia romântica que vão ficar guardados na minha memória e por todas as palavras não ditas que eu gostaria de ter escutado, mas que talvez nem eu nem você estivéssemos prontos para falar ou ouvi-las.
Obrigada por ressignificar viagens curtas, por enaltecer o tempo de qualidade e me fazer perceber que escuta ativa é um ponto muito importante para mim. Obrigada por me fazer perceber que tem coisas sobre mim que não vão mudar nunca e que eu sempre vou ter uma parte adolescente, quer isso agrade ou perturbe alguém. Essa sou eu na minha mais pura e intensa verdade.
Obrigada por me permitir conhecer um mundo novo, por compartilhar conhecimentos aleatórios que provavelmente nunca vou ter contato de novo e por me fazer entender que relacionamentos podem e devem ser leves e divertidos. E que mesmo com essas memórias, as relações duram o tempo que elas precisam durar. Nem mais, nem menos. Apenas o tempo exato para se tornarem inesquecíveis.
Obrigada por todas as conversas e todas as trocas. Você provavelmente nunca saberia que foi importante para me ajudar a reencontrar uma Renata que eu nem sabia que ainda existia dentro de mim. Espero que seu caminho continue sendo de evolução e desenvolvimento e que os erros que cometemos se tornem aprendizados para não os repetirmos no futuro com quem quer que cruze nosso caminho. E por último, mas não menos importante:
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| imagem: weheart it |
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