Hollywood, da Netflix

03 maio, 2020

Se você estiver buscando uma viagem no tempo um pouco utópica e leve, tenho uma boa indicação para você: a nova produção de Ryan Murphy e Ian Brennan para a Netflix. Na Hollywood década de 1940, um grupo de jovens atores, produtores e roteiristas querem se tornar estrelas de cinema e estão fazendo de tudo para realizar seus sonhos. Com significativa representatividade, a série vai te fazer questionar como seria o mundo se os todos os fatos da trama fossem verdadeiros.

imagem: reprodução | netflix
Fantasiar uma Hollywood pós-Segunda Guerra, sem muitos dos estereótipos que historicamente conhecemos é um dos pontos mais incríveis do seriado. A trama gira em torno da produção de um filme ousado que, para aquela época, seria capaz de levar o estúdio a falência.

Para além de entregar uma fotografia lindíssima, figurinos característicos da época e um ambiente completamente favorável a viagem do tempo, Hollywood também propõe uma leve reflexão sobre como seria o cinema hoje caso tivéssemos a oportunidade de reescrever a história. Uma mistura de ficção e realidade, a produção traz ao debate alguns assuntos que dificilmente seriam reproduzidos e debatidos em 1947 como o racismo, da sociedade e da indústria, e a homofobia.

Sem um protagonismo específico, conhecemos um pouco dos sonhos e desejos de: Jack Castello (David Corenswet) um ex militar bonitão que não se vê em outra profissão que não sendo ator; Archie Coleman (Jeremy Pope), um homem negro e gay que sonha com o reconhecimento como roteirista; Camille Washington (Laura Harrier), atriz negra que busca sua oportunidade como protagonista; Raymond Ansley (Darren Criss), um diretor mestiço que quer mostrar seu trabalho; Avis Amberg (Patti LuPone), a esposa ignorada e dona de casa que busca seu reconhecimento. Confira o trailer:



O grande “e se” que a série provoca pode até fazer com que você passe despercebido de alguns detalhes verídicos como a Queen Latifah que interpretou a Hattie McDaniel, a primeira mulher afro-americana a ganhar um prêmio Oscar, em 1940. O Jim Parsons que deu vida ao Henry Wilson, um agente de talentos que lançou vários artistas mas que escondia sua homossexualidade pelo grande preconceito da época. E o Rock Hudson, personagem de Jake Picking, um galã dos anos 1950 e 1960 que se assumiu gay em determinado momento da carreira.

Para admiradores do cinema, Hollywood é uma grande oportunidade de conhecer um pouco do universo por trás dele. As reuniões que acontecem pré e pós um roteiro ser aprovado, os orçamentos, os testes e escolha de elenco. A cena da “famosa” table read,  momento em que atores, produtores e roteiristas se reúnem para a leitura do roteiro é um momento simbólico e bonito de ver. Se você curte cinema e gosta de história, é quase certo que terá impulso de buscar mais conhecimento sobre essa época.

Segundo os críticos, Hollywood é o retrato perfeito de quem Ryan Murphy é no audiovisual. Mas se você não conhece, te conto quem ele é por algumas produções: Glee, American Horror Story, The Politician e Pose. O roteirista é conhecido no showbizz por pautar representatividade de todas as formas e chegou a ser rotulado como o “homem mais poderoso da televisão” pela revista New Yorker em 2018.

imagem: reprodução | netflix
imagem: reprodução | netflix
Tentar imaginar como estaríamos atualmente se a setenta anos o cinema já tivesse passado pela revolução que estamos vivendo hoje é um caminho inevitável. Entre outros insights, pensar no quanto a indústria cinematográfica pauta a nossa vida, há muitos e muitos anos, em diversos aspectos chega a ser dolorido. Pensar que, querendo ou não vivemos tentando nos colocar dentro de caixinhas (que, em primeiro lugar, nem deveriam estar ali). E que a tanto tempo já lutam para derrubar esses estereótipos todos, pelo menos parece que estamos chegando mais perto da desconstrução social desses padrões.

Ainda não sabemos se a série terá outras temporadas. De todo o jeito, a mensagem que fica é muito positiva, sobretudo nesse momento delicado de isolamento social e pandemia mundial. Não só pelo clichê que sempre ouvimos “não desista dos seus sonhos”, mas também: conte sua história. Certamente há alguém, em algum lugar, interessado em ouvir. É isso!

8 comentários

  1. Respostas
    1. oie!
      assistam, é bem legal! obrigada pelo comentário ♥

      Excluir
  2. Uma review bastante interessante e bem escrita! Parabéns pelo post, está muito bonito!
    E óbvio que fiquei cheia de curiosidade por ver a série, não tanto por perceber a história do cinema, mas sim porque me interesso imenso em filmes/séries mais antigas, principalmente as que remetem às gerras mundiais e à sobrevivência dos nossos antepassados, além do que tu falas e muito bem, a luta de décadas e séculos para findas os esteriotipos e preconceitos que, infelizmente, ainda hoje acontecem.

    Parece-me uma produção excelente e que pretendo ver em breve :) Obrigada pela dica!
    Beijinhos! Where I Belong

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. oie!
      ah, obrigada pelo seu comentário ♥
      também adoro essas produções que lembram nossa história ou fantasiam as épocas. são incríveis.
      um beijo!

      Excluir
  3. Nice post and interesting written review

    ResponderExcluir
  4. Amei a indicação! Já coloquei na minha lista!
    Gosto de produções que trazem reflexões e são tão artísticas.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

    ResponderExcluir