A gente precisa falar sobre a nova série da Netflix, Dear White People! Recém lançada pelo serviço de streaming, a trama se passa em Winchester, uma universidade majoritariamente branca, e sua ótica pretende mostrar a realidade do grupo de alunos afro-americanos que a frequentam. No decorrer dos capítulos, conhecemos um pouco da história e entendemos a postura de cada um dos dos cinco protagonistas: Samantha, Lionel, Troy, Reggie e Colandrea.
O desenvolvimento da história se dá a partir de uma festa BlackFace denominada "Dear Black People", organizada por alunos brancos que gera muita polêmica, já que esta seria uma manifestação escancarada de racismo. No entanto, este é apenas o pontapé inicial para as inúmeras discussões que estão por vir. Além do racismo, temos contato com outros assuntos ligados ao movimento negro que não são muito conhecidos por quem não faz parte ou não tem interesse, como os relacionamentos interraciais, a homosexualidade negra e colorismo. Alguns destes, inclusive, taxados como tabu dentro da própria militância.
A Netflix foi muito feliz em trazer um tema dessa magnitude para debate. Mesmo tendo se inspirado em um filme de mesmo nome, a série é capaz de aprofundar em determinados pontos, fora que a discussão do racismo e todas as suas vertentes é tão considerada polêmica que, assim como transtornos psicológicos, bullying, estupro e outras formas de violência, precisa ser ilustrado, estudado, debatido e combatido sim!
Assim como o machismo está enraizado na nossa cultura, a intolerância ao ser de pele escura também está presente da maneira similar. A exemplo, observamos na forma com que aprendemos conteúdos da disciplina de história: sabemos muito pouco sobre o continente africano, seu povo e sobre as lutas de pessoas negras em nosso país. Digo isso não só por pesquisa como por conhecimento próprio de quem foi aluna de escola pública a vida inteira. Isso acaba nos inserindo em um paradigma interminável no qual acredito que se não aprendemos a respeitar o diferente desde cedo, conforme o tempo vai passando essa atitude se torna cada vez mais difícil – porém não é impossível!
Cara gente branca, nossa cor de pele não é uma arma. Não precisam ter medo dela.
Samantha White
Assim como o machismo está enraizado na nossa cultura, a intolerância ao ser de pele escura também está presente da maneira similar. A exemplo, observamos na forma com que aprendemos conteúdos da disciplina de história: sabemos muito pouco sobre o continente africano, seu povo e sobre as lutas de pessoas negras em nosso país. Digo isso não só por pesquisa como por conhecimento próprio de quem foi aluna de escola pública a vida inteira. Isso acaba nos inserindo em um paradigma interminável no qual acredito que se não aprendemos a respeitar o diferente desde cedo, conforme o tempo vai passando essa atitude se torna cada vez mais difícil – porém não é impossível!
Precisamos levar em consideração que vivemos em um mundo estereotipado e estruturalmente racista. Desse modo, já era de se esperar que a resistência já comece ao ler o título e pensar que a série se trata sobre gente branca. E, ainda que após assistir o trailer ou estar ciente do assunto, a objeção em assistir shows como este, de protagonismo negro, que nos provoca reflexão e nos clama por empatia (no sentido de tentar se colocar no lugar do outro, mesmo que nunca seja possível compreender a dor de quem sofre com isso há milhares de anos), é um incômodo para muita gente e em parte para os agressores que, não vão se solidarizar ou repensar sobre isso. Muitos ainda pensam que racismo é uma coisa "ok" de se praticar, afinal os negros já sofrem com isso há muito tempo, já devem estar acostumados, mas NÃO!
Cara Gente Branca expõe a visão norte americana da violência racial sofrida por negros, apesar disso essa perspectiva pode ser facilmente percebida aqui no Brasil. O tempo todo somos condicionados a pensar e julgar o negro como alguém errado, desprovido de cultura e inteligência. Isso é histórico! Ora, vivemos em um país miscigenado. Já está mais do que na hora de mudar a postura e começar a ter um pouco mais de amor ao próximo e acima de tudo respeito, não é mesmo?
Cara Gente Branca expõe a visão norte americana da violência racial sofrida por negros, apesar disso essa perspectiva pode ser facilmente percebida aqui no Brasil. O tempo todo somos condicionados a pensar e julgar o negro como alguém errado, desprovido de cultura e inteligência. Isso é histórico! Ora, vivemos em um país miscigenado. Já está mais do que na hora de mudar a postura e começar a ter um pouco mais de amor ao próximo e acima de tudo respeito, não é mesmo?
Se você já assistiu, me conta nos comentários o que achou. Vamos divulgar, enaltecer e empoderar essa série pela internetê (:

26 comentários
Eu terminei de assistir ontem e queria que tivesse mais episódios! Há boatos de que terá uma segunda temporada, porém nada confirmado.
ResponderExcluirCom amor,
❤ Bruna Morgan ❤
Também queria mais episódios, Bru! Torcendo para renovarem, porque tem muito gancho ainda, né? Beijo
ExcluirEu vou maratonar esse final de semana! Passei a semana inteira esperando esse momento chegar, e sua postagem só fez minha vontade aumentar: achei sua reflexão muito pertinente e bem colocada.
ResponderExcluirLiteralize-se
Aaaa! Gi, você vai adorar. Certeza! É muito boa e muito reflexiva.
ExcluirBeijo <3
Eu maratonei Dear White People no mesmo fim de semana, mas não tive coragem de falar sobre porque é um assunto muito delicado e não me senti confiante para falar sobre.
ResponderExcluirÓtima resenha!
Beijos
www.jadeamorim.com.br
Jade, eu também maratonei naquele final de semana. Esperei um tempinho pra postar a resenha justamente por isso. Mas foi bom porque me deu tempo pra ler bastante sobre e desenhar meu posicionamento.
ExcluirObrigada :)
Quero muito assistir essa série, ainda não tive tempo de maratonar, mas acho muito legal as questões discutidas!
ResponderExcluirBeijos
Mari
www.pequenosretalhos.com
Oi Mari! É muito boa mesmo. Espero que você curta! :)
ExcluirAAAH que post maravilhoso, é tão bom ver quem entende realmente o que é o foco da série e a importancia dela! Eu fiquei muito feliz ao ver esse seriado, porém chateada com a falta de divulgação da netflix :/ amei o post e seu lay ta liiindo
ResponderExcluirOi Liz! Obrigadaaa ♥
ExcluirTambém fiquei chateada com a Netflix, mas li várias coisas sobre gente querendo boicotar, então meio que entendo eles.
Renata, que post incrivel. Não apenas uma indicação, mas seu texto nos leva a reflexões. Ainda não tive a oportunidade de assistir a série por que cancelei a Netflix aqui, e se eu não me engano a série saiu junto com #GirlBoss e foi um tanto ofuscada. Vou procurar assistir em outra plataforma online.
ResponderExcluirAmei seu blog.
Beijo, www.apenasleiteepimenta.com.br
Oi Leslie! Procura assistir sim, acho que você vai gostar.
ExcluirObrigada ♥
Eu tô completamente apaixonada. Só não terminei de assistir porque tava viajando, agora tô viajando de novo e não deu tempo entre uma e outra, mas faltam só 4 episódios. Amei Sam, amei o namorado dela, amei a dinâmica da série e amei a ideia da Netflix. Adorei o post!
ResponderExcluirblogdeclara.com
Oi Clarinha!
ExcluirAi, que legal que você tá gostando :)
Já ouvi falar muito bem dessa série! E sinceramente acho que a Netflix está arrebentando com esses seriados "tapa na cara da sociedade". E principalmente por ver que tantos amigos negros estão elogiando o trabalho e afirmando que tudo foi feito com verdade, retratando o que muitas vezes a gente fecha os olhos pra ver.
ResponderExcluirSim, a Netflix tá botando pra quebrar. Uma pena que a divulgação dessa série, não esteja tão forte quanto a das mais conhecidas né?
ExcluirOlá!
ResponderExcluirSeu post ficou muito bom, você falou tudo. Texto maravilhoso mesmo!
Já tinha ouvido falar da série e estou doida pra ver. Gosto quando retratam temas fortes e importantes como este.
Agora fiquei mais ansiosa ainda, desse final de semana não passa.
bjs
Fernanda Yano
Obrigada, Fernanda!
ExcluirAssiste sim, irá gostar :)
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirOi Rê! Que post mais certeiro, necessário e atual! Eu estou doida pra ver a série e gostei muito de ler sobre ela aqui. Acho que a série precisa de visibilidade, em comparação com outras produções da própria Netflix, essa quase que passa desapercebida. E mais um motivo para saudar ao vê-la tão bem referenciada aqui, já que ela aborda temas importantes que precisam ser debatidos para serem superados!
ResponderExcluirAdorei o post e a série tá na lista para assistir! <3
xoxo
Rê
Obrigada, Rê! Vindo de você, fico até feliz com esse comentário. Não se compara aos seus textos maravilhosos, mas fiz com carinho pra enaltecer a série :)
ExcluirBeijo!
Estou com muita vontade de assistir a esse seriado. Tenho tentado, cada vez mais, me desconstruir frente a esse mundo tão preconceituoso em que vivemos. Enquanto mulher, eu percebo e vivencio o machismo em que vivemos. Mas, muitas vezes, enquanto branca e heterossexual, eu não consigo ver da mesma forma o racismo e a homofobia presente na sociedade. Acho que é importante percebermos todas as formas de preconceitos que são tão comuns e tentarmos mudar essa realidade, e para que isso aconteça, é necessário que a gente dê o primeiro passo, que possamos refletir sobre esses assuntos e tentar fazer a diferença.
ResponderExcluirhttp://lenabattisti.blogspot.com.br/
Oi Lenise! Ai, eu sei bem o que você está dizendo! Torcendo pra que você consiga se desconstruir cada dia mais, e que a sociedade também perceba essas coisas! :)
ExcluirEu tô doida p verr, muitas pessoas falaram muito bem e com o seu post, deu mais vontade ainda de ver..
ResponderExcluirwww.doceestrabheza.com.br
Veja sim, Camila. Irá gostar :)
ExcluirEstou na metade da serie e adorado. Gostei da maneira como estar se desenvolvendo, pena que é curta, né? Adorei sua resenha, ela retrata bem a serie.
ResponderExcluirBeijos e ate logo - Meio Assimétrica