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| imagem: Jonas Svidras |
Só que, cinco anos depois, já acostumada com o cabelo natural – achando-o lindo, prático e aceitando que ele foi feito certinho para o meu rosto – ainda não me sinto satisfeita e as vezes me pego caindo na ditadura do ideal de beleza, que tanto procuro fugir.
A influência do cacho perfeito e as múltiplas ilustrações que temos de cabelo cacheado hoje em dia, sinceramente me deixa mais confusa, triste e inquieta que feliz por tanta representatividade. Ver as blogueiras do nicho sempre impecáveis e felizes com sua imagem gera uma frustração momentânea e uma melancolia eterna.
Claro que tenho consciência que vivendo na era que a gente vive, com manipulação digital, fotografias com peles, ângulos, roupas, cabelo e tudo perfeito são lindos, óbvio, mas fazem parte de uma coisa maior: uma marca, um posicionamento, imagem, trabalho etc. Mas, sejamos realistas, num dia que a gente já não acordou muito simpático, ver tudo isso, receber toda essa informação não faz muito bem para o cérebro.
É complicado sair de uma ditadura para querer entrar em outra né? Mesmo com todas as referências de cacheadas que as marcas deram chance de empoderar, ainda me sinto perdida e sem um exemplo. Por incrível que pareça, não conheci ninguém ainda que tenha cachos com uma curvatura próxima do que o meu é. E é difícil definir já que meu cabelo é fino, tenho raiz ondulada pra lisa, meus cachos não são bem definidos: nem muito abertos nem muito fechados.
Não precisa disso. A gente não tem que se sabotar dessa forma. Por mais que eu queira me sentir representada com alguém que tenha fisicamente aspectos parecidos com os meus, isso é quase impossível de existir. A representatividade está nas inúmeras cabeças cacheadas que a gente encontra na rua todos os dias. Coisa que a cinco anos atrás era bem menor do que vemos hoje.
Qualquer tipo de comportamento que se assemelhe a um padrão não é legal porque mexe com o psicológico, porque influencia sentimentos, emoções e machuca. Frizz é normal, cachos indefinidos também. Então, não vamos nos prender a fotografias de instagram e pinterest. Vamos nos guiar por gente de verdade do nosso dia a dia: a moça bonita que pega o metrô com você todo dia, a menina que tem cachos coloridos, a moça que vez ou outra está com penteado pra esconder o cabelo sujo, a menina que você sabe que faz fitagem todo dia.
Você tem bad hair day como qualquer outra mulher, sendo ela cacheada, crespa ou não. A diferença é como você vai lidar com esse dia. Nenhuma curvatura é mais bonita que a outra. Cada uma é única e é isso que a gente tem que ter em mente.

3 comentários
Aaaawn que texto maravilindo...
ResponderExcluirEu como cacheada e amante dos cachinhos super concordo com você, hoje em dia busca-se muito por perfeição, não somente nos cachos mas em todos os aspectos que o ser humano possa tentar melhorar.
Quando decidi assumir meu cabelo natural, foi em uma época que cachos não eram moda, como atualmente, e isso só serviu pra dar valor ainda mais pro meu DNA.
Se a gente não se valorizar, quem vai? E se for pra melhorar, que seja por nós mesmas.
ai que comentário lindo ♥
Excluirobrigaaada!!
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