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Desde 2014, no dia 28 de maio é celebrado o Dia Internacional da Higiene Menstrual. O propósito da data é quebrar o silêncio que envolve o assunto menstruação, promover o conhecimento e educar meninas e mulheres sobre a importância de uma boa higiene íntima no período menstrual. Mas por que, em 2020, esse assunto ainda é tratado com tanto distanciamento e estranheza?
Voltando para o ano passado, em 2019, o documentário “Period. End of Sentences”, do título em português ʽAbsorvendo o Tabuʼ, ganhou o Oscar de Melhor Documentário de Curta-metragem. Escrito e dirigido por Rayka Zehtabchi, a produção mostra a realidade de mulheres da comunidade rural de Harpur, na Índia, que enfrentam um estigma comum às mulheres do mundo todo: o da menstruação.
O documentário despertou curiosidade e trouxe o assunto para discussão em maior escala e, de certa forma, nos alertou sobre alguns absurdos desconhecidos – até então, ignorados pela sociedade.
A escamação do útero, tão comum ao sexo feminino é considerada tabu no mundo todo. Um estudo global de 2018 da marca Sempre Livre, em parceria com a KYRA Pesquisa & Consultoria, que entrevistou 1.500 mulheres com idades entre 14 e 24 anos de cinco países (Brasil, Índia, África do Sul, Filipinas e Argentina) mostra que 54% das mulheres não sabiam nada ou tinham poucas informações sobre a menstruação. Além disso, 66% delas se sentem desconfortáveis durante o período menstrual e 57% sujas. Esses dados refletem o quanto o desconhecimento sobre a saúde feminina é preocupante.
Educação sexual não é só sobre relações sexuais, DSTs e prevenção de gravidez. Segundo a ginecologista Debora Rosa, do perfil Ginecologia Natural no instagram, “tirar a ideia de que menstruação é suja é fundamental para que as meninas vejam a menstruação como sagrada”. A médica acredita que se o tema fosse abordado com naturalidade nas escolas, talvez o estigma fosse menor. Para ela, “a menina quando menstrua nem está pensando em namorar e muitas vezes já escuta comentários desrespeitosos”.
Mulheres são 51,7% da população brasileira, de acordo com dados do IBGE de 2018. Ainda hoje não há uma legislação que determine obrigatoriedade de aulas de educação sexual nas escolas. O tema é citado nas aulas de ciências quando é necessário apresentar o sistema reprodutor feminino e masculino, entretanto o conteúdo costuma ser bem introdutório. Além disso, o debate familiar também não é comum. O que faz com que meninas e mulheres cresçam acreditando em mitos e não entendam direito os processos e as mudanças do próprio corpo nesse período.
Não se sabe ao certo em que momento a menstruação se tornou tabu na sociedade. No entanto, especula-se que a ela nem sempre tenha sido um estigma, conforme lembra Debora. “Antigamente quando tínhamos o matriarcado, a fase menstrual era enaltecida. As mulheres se recolhiam nas tendas vermelhas e se abriam para intuição”. Uma teoria do professor Chris Knight, antropólogo social da Universidade de Londres, que pesquisou as profundas raízes históricas do tabu menstrual, acredita que o patriarcado – sistema social que coloca homens em posições de poder – teria criado uma forma de controlar as mulheres durante seu ciclo menstrual fazendo com que esse período fosse visto de maneira negativa à sociedade.
Para Debora, a menarca – nome dado para a primeira menstruação – é uma espécie de “portal para iniciar uma nova fase da vida”. É importante que o assunto seja debatido em sociedade não só com mulheres. Seria importantíssimo que homens entendessem e respeitassem o processo, já que se trata de uma transição feminina que dura anos, diz a ginecologista.
O século XXI e a crescente onda do movimento feminista são potenciais motores para o crescimento da educação sexual e naturalização do assunto na sociedade. O empoderamento feminino é inclusive apontado pela ginecologista, Debora Rosa, como um fator positivo e importantíssimo às novas gerações com grandes chances de romper mitos e tabus sobre a menstruação. “Uma boa educação sexual empoderaria essas mulheres. Daria autonomia para elas se prevenirem sem precisar se intoxicar com hormônios e sem depender dos homens para, por exemplo, usar camisinha masculina. A mulher [quando conhece seu corpo e seu ciclo] assume o controle da contracepção dela, seja com uso da camisinha feminina, diafragma, percepção da fertilidade ou DIU”, afirma.
Ou seja, nosso caminho ainda é um pouco longo mas as crescentes movimentações sociais e a democratização do conhecimento, provocado pela internet, são nossos aliados na desmistificação de todos os estigmas que possam envolver menstruação e saúde feminina. Cabe a nós, mulheres, irmos em busca do conhecimento sobre nossa história e nossos processos para que a menstruação se torne um assunto cada vez mais natural na rodinha de amigas e na sociedade em geral. Vamos juntas? ♥
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| "sangue menstrual não é sujo" | imagem @eugeniedbart |
O documentário despertou curiosidade e trouxe o assunto para discussão em maior escala e, de certa forma, nos alertou sobre alguns absurdos desconhecidos – até então, ignorados pela sociedade.
A escamação do útero, tão comum ao sexo feminino é considerada tabu no mundo todo. Um estudo global de 2018 da marca Sempre Livre, em parceria com a KYRA Pesquisa & Consultoria, que entrevistou 1.500 mulheres com idades entre 14 e 24 anos de cinco países (Brasil, Índia, África do Sul, Filipinas e Argentina) mostra que 54% das mulheres não sabiam nada ou tinham poucas informações sobre a menstruação. Além disso, 66% delas se sentem desconfortáveis durante o período menstrual e 57% sujas. Esses dados refletem o quanto o desconhecimento sobre a saúde feminina é preocupante.
Educação sexual não é só sobre relações sexuais, DSTs e prevenção de gravidez. Segundo a ginecologista Debora Rosa, do perfil Ginecologia Natural no instagram, “tirar a ideia de que menstruação é suja é fundamental para que as meninas vejam a menstruação como sagrada”. A médica acredita que se o tema fosse abordado com naturalidade nas escolas, talvez o estigma fosse menor. Para ela, “a menina quando menstrua nem está pensando em namorar e muitas vezes já escuta comentários desrespeitosos”.
Mulheres são 51,7% da população brasileira, de acordo com dados do IBGE de 2018. Ainda hoje não há uma legislação que determine obrigatoriedade de aulas de educação sexual nas escolas. O tema é citado nas aulas de ciências quando é necessário apresentar o sistema reprodutor feminino e masculino, entretanto o conteúdo costuma ser bem introdutório. Além disso, o debate familiar também não é comum. O que faz com que meninas e mulheres cresçam acreditando em mitos e não entendam direito os processos e as mudanças do próprio corpo nesse período.
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| "sem vergonha" | imagem @eugeniedbart |
Para Debora, a menarca – nome dado para a primeira menstruação – é uma espécie de “portal para iniciar uma nova fase da vida”. É importante que o assunto seja debatido em sociedade não só com mulheres. Seria importantíssimo que homens entendessem e respeitassem o processo, já que se trata de uma transição feminina que dura anos, diz a ginecologista.
O século XXI e a crescente onda do movimento feminista são potenciais motores para o crescimento da educação sexual e naturalização do assunto na sociedade. O empoderamento feminino é inclusive apontado pela ginecologista, Debora Rosa, como um fator positivo e importantíssimo às novas gerações com grandes chances de romper mitos e tabus sobre a menstruação. “Uma boa educação sexual empoderaria essas mulheres. Daria autonomia para elas se prevenirem sem precisar se intoxicar com hormônios e sem depender dos homens para, por exemplo, usar camisinha masculina. A mulher [quando conhece seu corpo e seu ciclo] assume o controle da contracepção dela, seja com uso da camisinha feminina, diafragma, percepção da fertilidade ou DIU”, afirma.
Ou seja, nosso caminho ainda é um pouco longo mas as crescentes movimentações sociais e a democratização do conhecimento, provocado pela internet, são nossos aliados na desmistificação de todos os estigmas que possam envolver menstruação e saúde feminina. Cabe a nós, mulheres, irmos em busca do conhecimento sobre nossa história e nossos processos para que a menstruação se torne um assunto cada vez mais natural na rodinha de amigas e na sociedade em geral. Vamos juntas? ♥
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